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Obesidade, diabetes e celulite podem ter origem no desequilíbrio da flora intestinal


Estudos mostram que o controle de bactérias e fungos habitantes do intestino pode ser essencial no combate às doenças metabólicas e a problemas estéticos como celulite. Proporção de bactérias encontrada em exames de fezes pode apontar predisposição ao excesso de peso. Toxinas produzidas por fungos e bactérias do intestino e pelos "obesogênicos ambientais" são vilãs do peso saudável.

Há mais elos entre o que acontece no ecossistema intestinal e o desenvolvimento de doenças metabólicas como obesidade e diabetes do que imagina o nosso vão senso comum. Pelo menos é o que vêm mostrando estudos recentes, publicados na Revista Nature. Segundo estes trabalhos, os tipos de bactérias existentes nos intestinos de pessoas magras e gordas tendem a ser diferentes. Nos EUA, já estão sendo até solicitados exames de fezes para avaliar o material genético das bactérias e detectar a proporção dos tipos bacterianos. A proporção de bactérias encontrada pode apontar, por exemplo, predisposição ao excesso de peso.
Quando a flora intestinal está desequilibrada, fragmentos de bactérias e de fungos conseguem ultrapassar a barreira intestinal, chegar à circulação, ligar-se ao núcleo das células e alterar seus genes. Com isso, são produzidos compostos que alteram a atividade e a função das células. Esse desequilíbrio bioquímico traz como conseqüência doenças inflamatórias como, por exemplo, obesidade e diabetes, já que as bactérias intestinais podem contribuir para as diferenças de peso entre os indivíduos e estão, ao que tudo indica, entre os fatores da epidemia de obesidade.

Intestino com uma flora desequilibrada, ou seja, com poucas bactérias "protetoras", fica vulnerável aos fungos e a bactérias "ruins", que produzem toxinas desencadeadoras de inflamações nas células. Somente os fungos despejam mais de 80 tipos de toxinas no organismo por dia. Além de doenças metabólicas, essas toxinas causam alterações comportamentais, diminuição da libido, ansiedade, depressão, exacerbação da TPM, infertilidade, gases, candidíase, entre outras doenças.
Elas ficam na circulação, depositam-se em órgãos específicos e sobrecarregam o fígado. Hoje sabemos que não só as toxinas produzidas internamente, na flora intestinal, estão associadas à obesidade, mas também as toxinas ambientais. Estamos expostos a mais de 4.000 toxinas que, no nosso tecido adiposo, podem interferir com um receptor responsável por gerar novas células de gordura, como se fossem disparadores da replicação de células gordurosas. Estas substâncias tóxicas que interferem com o nosso tecido adiposo e nos engordam são chamadas de obesogênicos ambientais. Um dos principais obesogênicos ambientais são os plastificantes, substâncias tóxicas liberadas dos plásticos (taperware, copos plásticos, etc.). Além de obesidade, estes compostos provocam, de acordo com uma série de estudos, infertilidade, redução do número de espermatozóides, feminização de homens e disfunção da tireóide.

As toxinas têm grande capacidade de aumentar a gordura corporal porque suas moléculas possuem estrutura química igual ao do tecido adiposo. Assim, elas encontram abrigo confortável na gordura e disparam a sua replicação celular, gerando novas células de gordura. E enquanto o fígado funciona como um filtro eliminador de toxinas, o intestino funciona como uma barreira, selecionando o que deve ou não chegar à circulação. Por isso, quando a flora intestinal encontra-se desequilibrada, o intestino perde esta capacidade e deixa chegar ao sangue alimentos mal digeridos, metais tóxicos e toxinas produzidas pelas bactérias e fungos.

A celulite é outro problema que também pode estar intimamente relacionado com o desequilíbrio da flora intestinal e a sobrecarga do fígado com substâncias tóxicas ambientais ou produzidas internamente. Uma das conseqüências dessa sobrecarga do sistema circulatório e linfático provocada pelo excesso de toxinas é justamente a formação de celulite. É por isso que o tratamento do problema envolve, em grande parte, o reequilíbrio da flora intestinal e o fornecimento de nutrientes para que o fígado otimize a eliminação de toxinas.

Para reequilibrar a flora intestinal e diminuir a descarga de toxinas fúngicas, é preciso baixar o número de fungos e de bactérias "ruins" e aumentar o de bactérias protetoras do intestino e da saúde, chamadas de probióticas. O combate aos fungos, de acordo com a nutricionista funcional, passa pela redução dos alimentos que eles mais apreciam: açúcares, alimentos fermentados (como pão, cerveja, vinho, molho shoyo, vinagre, mostarda, maionese), alimentos mofados ou com fungos como frutas secas, champignon, queijo roquefor e gorgonzola. O uso de antibióticos, corticóides, antiinflamatórios e de pílula anticoncepcional também pode acarretar o desequilíbrio da flora intestinal. Há, inclusive, pessoas que apresentam problemas relacionados a aumento de fungos devido ao uso de antibióticos ao longo da vida.

Mudanças na alimentação também são mais do que necessárias para que se eliminem ou diminuam as toxinas externas, sendo que as principais são a redução no consumo de açúcar, corantes, conservantes, café, álcool, agrotóxicos, alimentos industrializados em geral, laticínios (em excesso), glúten, gorduras trans, sal e adoçantes (especialmente os sintéticos). Outra medida importante é evitar a exposição a agentes tóxicos como poluentes do ar e da água, fumo (inclusive passivo) e produtos de limpeza.

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