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Os perigos do consumo regular do leite
Pesquisa reafirma que consumo de leite é responsável pelo surgimento ou agravamento de grande parte das doenças crônicas ocidentais


O consumo de leite é visto há gerações como um fator importante na manutenção de uma saúde equilibrada. Contudo, uma pesquisa publicada em 2009 na revista científica Medical Hypotheses, promete mudar esse conceito. Nela, a ingestão regular da bebida é associada a uma série de problemas que variam de diabetes a doenças neurodegenerativas. O principal responsável por esses malefícios é o aumento da produção de dois hormônios: a insulina e o hormônio do crescimento GH em sua forma atuante, o IGF-1.  A liberação dessas duas substâncias no sangue beneficiam a resistência à insulina, o que está intimamente relacionado ao surgimento de doenças crônicas como excesso de peso, hipertensão, doenças cardiovasculares e ainda câncer.

Mas não é só isso, de acordo com o estudo, a ingestão do leite também está relacionada ao surgimento de câncer e ao nascimento de bebês acima do tamanho e peso normal, mais propensos ao diabetes e ao desenvolvimento da obesidade. O aumento da estatura da população em geral por conta do consumo de leite e derivados também é um dos temas do estudo, que ainda aponta para o fato de que o hormônio IGF-1 é capaz de atravessar as barreiras de contenção do sangue e penetrar no cérebro, causando danos muitas vezes irreparáveis.

Isso acontece porque o leite contém agentes estimulantes de crescimento e proliferação de células de uma maneira geral, podendo ser, essas células, malignas. É o que acontece na relação consumo de leite e o câncer. Na pesquisa, o aumento da concentração do hormônio IGF-1 no organismo, responsável por estimular o crescimento e a diferenciação celular associados ao surgimento de tumores, está relacionado ao consumo de leite industrializado. A bebida aumenta ainda os níveis de estrogênio, outro fator de risco para as mulheres, que ficam mais propensas ao câncer de mama. O estudo com mulheres norueguesas revelou que as que ingeriam mais de 750ml de leite integral por dia tinham 2,91% mais chance de desenvolver câncer de mama do que as que consumiam menos de 750ml. 

O estudo indica ainda que o alto consumo de leite pode ser uma das causas para a síndrome do ovário policístico, que atinge uma em cada dez mulheres e pode ter como consequências desde problemas simples como oleosidade na pele e acne, até mesmo sangramentos irregulares e dificuldade para engravidar. Já a relação entre o consumo de leite e as doenças cardíacas é estudada há cerca de vinte cinco anos e aponta um aumento proporcional entre o número de mortes por esse tipo de doença e a ingestão de laticínios. Quanto às doenças neurodegenerativas, a ação maléfica do IGF-1 se dá intensificando o processo de acumulo de proteínas no celebro. O aglomerado protéico é determinante no surgimento e evolução de doenças como Alzheimer e Parkinson.      
 
No entanto, não há motivo para pânico ou para adotar dieta radical sem leite e derivados. Os malefícios relatados estão associados principalmente ao consumo continuo de tais produtos. Nenhum destes efeitos é significante se o laticínio for  parte integrante de uma dieta saudável e não como alimento principal. A prevenção pode ser iniciada em qualquer etapa da vida, seja para prevenir o surgimento de problemas ou evitar a progressão de alguma doença, e mudanças de hábitos sempre são bem-vindas. A melhor dica é substituir produtos feitos com leite animal por leite de arroz ou de soja mesmo na preparação de alimentos. Sucos e purês de fruta são também são boas alternativas.

Leite e gravidez

A ação da alta dose de insulina no corpo também é percebida no desenvolvimento do bebê desde as primeiras etapas de gestação. A macrossomia fetal, ou bebes maiores e mais pesados que o normal, é uma das conseqüências mais comum. Bastante prejudicial, o mal aumenta as chances da criança desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida. Dietas ricas em laticínios durante a gestação aumentam também o risco para a mãe, que pode desenvolver resistência à insulina. Hoje, o diabetes gestacional atinge cerca de 4% das futuras mães.

Os danos ao bebê podem começar ainda na vida uterina, pois altas doses de IGF-1 nas primeiras etapas de gravidez alteram a capacidade do sistema imunológico de combater células cancerígenas no decorrer de toda vida, aumentando significantemente a chance das meninas desenvolverem câncer de mama na vida adulta.

Leite na infância

Além disso, o estudo revela que o crescente aumento na estatura e no peso da população dos países industrializados pode estar relacionado ao consumo de leite por um período de vida cada vez mais longo, chegando às vezes à vida adulta. Na pesquisa, crianças da Mongólia, pouco acostumadas ao consumo de laticínios, que tomaram 720ml da bebida por dia, tiveram um crescimento linear de aproximadamente 12 centímetros por ano, bastante acima da média. Já nos Estados Unidos, a altura média de meninas que consomem até um copo de leite por dia é de 1,50m, enquanto entre as que tomam mais de um copo, a média é de 1,52m.

E não só a altura, mas também o peso sofre influência, pois além dos hormônios do crescimento, os laticínios e leites aumentam a produção de insulina do organismo. Assim, a quantidade extra de glicose não é metabolizada e se transforma em tecido adiposo mais facilmente, aumentando o risco de obesidade. Contudo, esses não são os únicos efeitos sobre os jovens. Foi revelado ainda, que crianças com esse hábito correm um risco maior de entrar na puberdade precocemente. O GH-1 aumenta os níveis de deidroepiandrosterona, o que normalmente acontece aproximadamente dois anos antes do inicio da puberdade, acelerando o processo.

 

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